Porto de Santos recebe 10 vezes mais nitrato de amônio por navio do que Beirute, diz OAB


A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio da Subseção Santos, no litoral de São Paulo, encaminhou ofícios para autoridades federais com o objetivo de alertar sobre o transporte e armazenamento de nitrato de amônio no cais santista.

Segundo o órgão, chegam ao complexo portuário até 30 mil toneladas da substância em cada navio, uma quantidade dez vezes maior do que o volume que possivelmente provocou a explosão no Porto de Beirute, no Líbano, na última terça-feira (4).

Rodrigo Julião, presidente da OAB-Santos, solicitou com urgência uma resposta da Presidência da República, do Ministério Público Federal (MPF), do Ministério da Defesa e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Este último irá rastrear cargas perigosas no Porto de Santos nos próximos dias. Empresas do Polo Industrial de Cubatão (SP) importam o produto, que é matéria-prima de fertilizantes.

"O grau de perigo é tal que o Exército acompanha o transporte e o armazenamento. Infelizmente, os desembarques de navios que transportam esse produto não vêm sendo fiscalizados pelos órgãos públicos competentes", diz Julião.

A carga estocada no Líbano foi comparada a 20% do poder de destruição da bomba de Hiroshima, detonada no fim da Segunda Guerra Mundial. "Se recebemos 30 mil toneladas a cada navio, significa que desafiamos a sorte, permanecendo sobre duas bombas atômicas", conclui Julião.

Nitrato de amônio

Segundo apurado pelo G1, o nitrato de amônio, em pequenas quantidades e bem armazenado, não é perigoso. Mas, quando exposto a altas temperaturas, pode resultar em uma grande explosão como ocorreu no Líbano, causada pela detonação de 2.750 toneladas da substância. Além disso, em Beirute, o nitrato ficou guardado em um armazém por seis anos, sem a segurança necessária.

Em Santos, há empresas que movimentam fertilizantes. Esses locais, além de nitrato de amônio, podem conter outros tipos de substâncias químicas que, combinadas, correm o risco de gerar acidentes.

Somente entre 2003 e 2020, foram registrados pelo menos 11 acidentes envolvendo produtos químicos na Baixada Santista. Um deles ocorreu também com nitrato de amônio, em 2017, em Cubatão, gerando uma enorme nuvem de fumaça colorida.

 

Fiscalizações

Como o Porto de Santos movimenta e armazena produtos perigosos, as empresas devem apresentar planos de segurança à Defesa Civil de Santos. Desde 2013, para atenuar os riscos, foi criado o programa P2R2 (Prevenção, Preparação e Resposta Rápida) para promover a prevenção e os planos de contingência envolvendo produtos químicos. O trabalho é integrado e realizado por órgãos como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Cetesb, Ibama e governos municipais e estadual.

Fonte: G1

 


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