Vale Fertilizantes em Uberaba anuncia Programa de Estágio para o segundo semestre de 2015








A Vale Fertilizantes está com inscrições abertas para o processo seletivo do Programa de Estágio para início no segundo semestre de 2015. Os interessados devem se inscrever no site http://www.valefertilizantes.com/, na seção Carreiras, de 24 de junho a 6 de julho. Para todas as vagas, os candidatos devem ter no mínimo 18 anos e estar matriculados em instituições de ensino reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC).


Ao todo, serão oferecidas vagas para estudantes do Ensino Superior e Técnico, nas unidades de Uberaba, Taquari, Vassouras, Tapira, São Paulo, Guará, Cubatão, Cajati, Belo Horizonte, Araxá, Campinas e Catalão.



‘O Programa de Estágio da Vale Fertilizantes é um meio de formar e desenvolver estudantes de diversas áreas e cursos. O estudante tem a oportunidade de complementar seu aprendizado teórico com vivência prática em diversas áreas da empresa, e assim formamos jovens profissionais’, comenta Marinildes Queiroz, Gerente de Treinamento e Desenvolvimento.

Para estudantes de nível superior, o estágio regular pode ter a duração de um a dois anos, com carga horária de seis horas diárias. Podem se inscrever alunos que estão cursando graduação, com formação prevista para entre entre agosto de 2016 e agosto de 2017, nas áreas de Engenharia Civil, Química, Ambiental e Produção; Administração, Economia, Engenharia Elétrica, Mecânica e Eletrônica; Engenharia de Automação e Telecom, Engenharia de Petróleo e Gás; Engenharia de Processos; Direito, Tecnologia da Informação; Psicologia; e Engenharia de Edificações; Zootecnia, Veterinária e Agronomia. O salário para nível técnico é R$ 800,00 e R$ 1.300,00 para nível superior.


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Sindicalistas trocam experiências no 5º Encontro Nacional dos Trabalhadores do Setor de Fertilizantes e Defensivos Agrícolas




Neste momento sindicalistas dos nove estados representados no 5º Encontro trocam experiências vividas em suas bases com as grandes empresas do setor de fertilizantes. São relatos que abordam precariedade na segurança e saúde dos trabalhadores, baixos salários, acordos coletivos que não contemplam os anseios dos trabalhadores, má gestão das empresas, desrespeito aos  Acordos Coletivos, a não implementação do PLR  por parte das grandes  do setor em algumas unidades. Essa plenária de troca de informações terminará com um trabalho em grupo.
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Panorama da indústria de adubos/fertilizantes, investimentos e projeções


O economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), Daniel Ferrer, destacou no V Encontro Nacional dos Trabalhadores do Setor de Fertilizantes e Defensivos Agrícolas, durante palestra em Uberaba (MG), no dia 23 de junho, que os produtos fertilizantes estão em todo setor da cadeia alimentar. “É quem dialoga com o mercado consumidor. O defensivo agrícola abrange grande universo, com o Brasil importando mais do que exportando”, disse. Os maiores produtores são Estados Unidos, China, Rússia e Marrocos.

Segundo ele, em 2012 o país consumiu 1 bilhão de tonelada e 6,9 milhões de quilos de fertilizantes químicos. Na cadeia produtiva dos principais produtos desse segmento econômico, estão: resíduo asfáltico, gás residual de refinaria, gás natural, rocha fosfática, enxofre, amônia, concentrado fosfático, ácido sulfúrico, ácido fosfórico, ácido nítrico, nitrato de amônio, uréia, fosfato de diamônio, superfosfato simples, cloreto de potássio.

As matérias primas básicas são produzidas pela Petrobrás, Vale, Copebrás e Galvani. Quanto à uréia/nitrato de amônia, Petrobras e Vale monopolizam o mercado. Já o SSP é dividido por Hering, Galvani, Copebrás, Yara Brasil, Timac, Agro, Fospar, Cibrafértil, Bunge, Profertil e Vale. O Cloreto de Potássio fica nas mãos da Vale.

“Segundo o agronegócio, os fertilizantes e defensivos agrícolas são usados em 76% das terras e 24% na agricultura camponesa. Porém, o agronegócio recebe 84% dos créditos governamentais e a agricultura camponesa fica com apenas 16% desses recursos”, explicou. Quanto ao faturamento líquido, os fertilizantes saíram de US$ 3 bilhões em 1996 para R$ 16,4 bilhões em 2014 e os defensivos agrícolas saltaram de US$ 1,8 bilhão (1996) para US$ 12,2 bilhões (2014) de com dados da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química).

Quanto à produção por segmento da indústria química, de janeiro/abril 2015, a fabricação de biocombustíveis responde por 9,9%, intermediários para fertilizantes, 7,2%; fabricação e refino de açúcar, 6,6% e produtos químicos orgânicos, 4,4% registraram números percentuais positivos contra produtos farmoquímicos e farmacêuticos com -18,7% em igual período.

“Porém a produção nacional de fertilizante e volume entregue ao consumidor final, em milhões de toneladas métricas, entre 1998/2015, saiu de 14,7 milhões para 32,2 milhões no passado e de janeiro a abril de 2015 já atingiu 7 milhões de quilos. Só a fabricação nacional que não registrou grande avanço: saiu de 7,4 milhões de toneladas em 1998 para 8,8 milhões de quilos em 2014, pois grande parte desse setor é dominada por multinacionais”, descreveu. Por causa disso o Brasil gastou US$ 3,4 bilhões com importação de fertilizantes e defensivos agrícolas em 1998 contra US$ 11,9 bilhões em 2014. Sua parca exportação caiu de US$ 0,38 bilhão (1998) para US$ 0,23 bilhão (2014).

Para baratear e incentivar a construção de novas plantas, segundo o economista do Dieese, a Lei Ordinária de abril de 2013 criou o Reif (Regime Especial de Incentivo ao Desenvolvimento da Infraestrutura da Indústria de Fertilizantes através da suspensão PIS/Cofins, IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) e IPI vinculado à importação durante a execução das obras. “Essa suspensão poderá ser transformada em isenção tributária. O governo teve renúncia fiscal de R$ 363 milhões (R$ 172, 5 milhões em 2013 e R$ 190,81 milhões em 2014)”, calculou.
Quanto ao tamanho de empresas do setor, as que empregavam 500 ou mais trabalhadores, elas saíram de 2,0% em 2006 para 12,1% em 2013. Em igual período, as micro reduziram os postos de trabalho de 9,8% para 8,4%. O mesmo com ocorreu nas de médio porte (capacidade de empregar de 100 a 499 funcionários), diminuindo as vagas de 60,9% para 51,9%.

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Em entrevista, Jana Silverman do Solidarity Center afirma: "Neste momento de crise, trabalhadores e Sindicatos não podem abrir mão de seus Diretos como fizeram os americanos em 2008"



No primeiro painel de discussão a sindicalista e economista  norte-americana, Jana Silverman ,diretora dos programas no Brasil do Solidarity Center, AFL-CIO, explicou de forma clara e objetiva as perspectivas econômicas do Brasil e do mundo e como isto afeta diretamente a vida do trabalhador químico.  A economista apresentou dados e gráficos que esclareceram a plateia sobre vários temas, dentre eles: inflação, taxas de juros, falta de investimentos, crédito e capital especulativo, sem esquecer da questão social, que segundo ela é o ponto mais relevante.
Jana qual o trabalho do Solidarity Center e a importância de participar aqui no Brasil do o 5º Encontro Nacional dos Trabalhadores no Setor de Fertilizantes Defensivos Agrícolas?
“ Nós temos uma politica de fomentar as redes sindicais, nacionais e globais, por causa da globalização que é muito importante os trabalhadores lutarem juntos para enfrentar  e encarar o poder das grandes empresas multinacionais. Por isso queremos contribuir neste processo de consolidação das ações sindicais do setor de fertilizantes, onde já temos 5 anos de atuação. Parabenizamos todos os Sindicatos  por este evento.”

Qual a relevância de se discutir a questão econômica do país para os sindicalistas de uma forma geral?
“Para poder mudar a realidade você tem que conhecer primeiro, ter fontes de informação confiáveis, desde o ponto de vista do movimento sindical.  Sabemos  que a grande mídia distorce  as informações, atuando quase que como um partido politico, tentando prejudicar os trabalhadores. Por isso estamos aqui  para apresentar a informação mais correta  e clara possível.”

Em momentos de crise, como o que vivemos atualmente, qual o posicionamento que os Sindicatos, de uma forma geral, devem tomar em relação a questão econômica. Já que afeta muito mais a classe trabalhadora e seu bolso efetivamente?
É difícil falar, pois, cada sindicato tem uma postura. Mas é importante ter uma boa leitura de tudo que está se passando no país. Tendo um canal de dialogo social aberto com suas bases e também saber o momento de negociar e ir realmente à luta. Temos que ter uma posição contrária a ideia de sempre entrar em greve. As vezes temos que entender  quando temos que recuar de maneira estratégica, para ganharmos a longo prazo. Até porque essa luta, dos trabalhadores contra o capital não vai acabar nunca. Temos que pensar mais no longo prazo, isso é o que estamos tentando fazer aqui!
Sabemos que os trabalhadores devem se interessar cada dia mais pela econômica de seu país, o que está se passando com ela. De que forma, de maneira prática, isso pode ajudá-lo no seu trabalho e em seu dia a dia?
Isso tem uma aplicação direta na mesa de negociação coletiva e nas conversas de seu dia a dia com os trabalhadores nas portas das fábricas. Muitas vezes as pessoas não entendem o porquê não ganham um aumento salarial X. Tendo um conhecimento prévio, ele tem uma “arma” com este conhecimento. Eles a partir disto vão entender o motivo do seu Sindicato não ter conseguido um aumento maior.  Por mais que os Sindicatos lutem, existem fatores externos que não se pode controlar. Entendendo melhor aspectos econômicos aprimoramos nossa estratégia para poder ganhar mais”
Você consegue notar diferenças políticas-econômicas entre os trabalhadores norte-americanos e os brasileiros em momentos de crise?
Nós, os americanos, tivemos uma grande crise em 2008. Lá nos Estados Unidos, os Sindicatos abriram mão de muitas coisas para preservar empregos e muitas das vezes, não conseguiram segurar estas vagas. Isso tem que servir de lição para os trabalhadores brasileiros. Para não se fazer a mesma coisa aqui. Temos que aproveitar que aqui o governo é ainda, mais ou menos, favorável aos trabalhadores para tentar negociar de maneira mais dura com as empresas. Pois sabemos que por mais que passamos por uma crise, por outro lado, eles têm muito dinheiro nos bancos. O dinheiro existe, nos resta lutar para conquistarmos uma maior fatia deste bolo.”
Jana você como economista e sindicalista, por  favor dê um recado, um alerta, de qual a postura que o trabalhador, de uma forma geral, deve adotar neste momento onde a crise arrocha salários e aumenta impostos.
O fundamental é sempre ter uma boa comunicação entre base e os Sindicatos. Tem sempre um diretor que está mais envolvido na questão das negociações, de uma forma geral, e isso é importante nestas horas. Sem esta conexão orgânica com o trabalhador de base, você não vai poder lutar. Tem que ser um momento de muita unidade entre base e sindicato, unidade entre as diferentes organizações sindicais, confederações. Sempre com uma ideologia, um princípio comum, em benefício do trabalhador.


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5º Encontro Nacional dos Trabalhadores do Setor de Fertilizantes e Defensivos Agrícolas


A unidade em torno das reivindicações econômicas foi o tema hoje (23) de abertura do V Encontro Nacional dos Trabalhadores do Setor de Fertilizantes e Defensivos Agrícolas, em Uberaba (MG). O evento teve organização da Solidarity Center, CNTQ (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Químico), CNQ e participação da SNQ e Força Sindical Nacional.

A presidente do Sindicato dos Químicos de Uberaba, Graça Carriconde, disse que a essência desse encontro nacional é aumentar a troca de informações. “Desde o primeiro encontro, percebi, que independente de crise econômica,  precisamos, cada vez mais, estarmos unidos e sairemos desse evento com muitos subsídios”, afirmou.

O vice-presidente CNTQ, Larri dos Santos, que substituiu o presidente Antonio Silvan Oliveira, impossibilitado de comparecer a esse encontro, destacou a importância de reunir diversos dirigentes sindicais para discutir problemas prejudiciais aos trabalhadores. “Quando falamos de contrato único, os companheiros precisam compreender que os nossos aspectos regionais serão mantidos, porque as multinacionais agem em conjunto”, disse. Ele alertou quanto aos empréstimos feitos pelo BNDES às empresas: “Devemos cobrar as contrapartidas nessas linhas de créditos. Alguns patrões exigem isenção de impostos”.

Para José Pinheiro de Almeida, secretário setorial petroquímico e fertilizantes, da CNQ/CUT, a essência desse encontro é no final todos participantes terem acesso a vários acordos coletivos. “Na Bahia, nossos acordos serviram de referência para diversas empresas do setor. Aqui vamos nos dedicar durante todos os dias para conhecermos cada vez mais esse segmento”, frisou.

O presidente da Força Sindical SP e tesoureiro da CNTQ, Danilo Pereira da Silva, em nome da central sindical e da SNQ, enfatizou que a unidade, independente de trabalhar em indústrias diferentes, a unidade é essencial. “ Que o sucesso desse encontro possa aumentar, mais ainda, as nossas forças para enfrentarmos este ano de crise. A solidariedade é importante para obtermos nossas conquistas”, enfatizou.


O secretário de relações internacionais da CNQ/CUT, Fábio Augusto Lins, disse que era com grande satisfação participar desse encontro. “É bom trabalharmos em conjunto com a Fequimfar, CNTQ, Força Sindical. Neste evento teremos análise e definiremos um plano de ação, para melhorarmos nossa discussão com os patrões. Numa economia globalizada, nunca devemos nos esquecer de que empresas multinacionais não têm pátria”, argumentou.
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BNDES quer usar R$ 10 bilhões do FGTS para financiar usinas


Fonte: Estadão

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) quer usar os R$ 10 bilhões de reforço do fundo que conta com recursos da poupança forçada dos trabalhadores para financiar projetos de infraestrutura de energia e logística, como a Hidrelétrica de Santo Antônio e a usina nuclear Angra 3, os aeroportos de Galeão e de Guarulhos e até mesmo um terminal privado, localizado às margens da Rodovia Castelo Branco.

O Estado obteve a relação dos empreendimentos que o BNDES apresentou ao fundo de investimento que usa os recursos do FGTS (FI-FGTS) para aplicar em projetos de infraestrutura. No total, as sugestões somam R$ 10,8 bilhões. A análise será feita na próxima reunião do comitê de investimento - que conta com representantes do governo, dos trabalhadores e dos patrões -, marcada para amanhã.

Depois que o conselho curador do FGTS autorizou o reforço do caixa do banco com os recursos do fundo, os desembolsos para esses projetos, que já estão em obras, dependem do aval do comitê do FI-FGTS e da aderência deles às regras do fundo de investimento. Se algum deles for recusado, o BNDES terá que trocá-lo por outro.

Na relação entregue pelo BNDES estão aportes de R$ 45 milhões na Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. Os membros do comitê podem ponderar que essa usina em construção no Rio Madeira, em Porto Velho (RO) já recebeu R$ 2 bilhões em financiamentos do fundo, segundo o último balanço. O consórcio construtor da usina é formado pelas empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez, cujos presidentes foram presos na última sexta-feira, em mais uma fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga corrupção na Petrobrás.

Mário Avelino, presidente do Instituto do Fundo Devido ao Trabalhador, acredita que as prisões dos chefes das empreiteiras não impedirão os desembolsos, já que as operações foram aprovadas pelo banco de fomento. "Pouca coisa deve mudar, a não ser que sejam forçadas pela opinião pública", afirma. No entanto, o Estado conversou com membros do comitê que decide os aportes, sob condição de anonimato, e eles disseram que muitos projetos da lista vão ser "contestados". Para o professor de Finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) no Rio de Janeiro Gilberto Braga, o trabalhador brasileiro deveria poder escolher onde aplicar o dinheiro que é obrigado a poupar, assim como fez quem decidiu investir na Petrobrás e na Vale.

Energia. Pela lista, a maior parte dos recursos será investida em energia - 31,3% do total que está sendo pedido. Serão R$ 400 milhões à usina nuclear Angra 3, cujas obras foram reiniciadas em 2009 pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, depois de 23 anos paradas. A usina também faz parte das investigações da Operação Lava Jato.

A maior parte dos aportes em energia deve ser feita à Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), empresa do grupo Eletrobrás. O BNDES quer colocar R$ 1,2 bilhão do FI-FGTS em dois projetos.

Rodovias devem receber 27,5% do total dos recursos. Entre as contempladas devem estar a BR-040 (R$ 331,7 milhões) e BR-050 (R$ 105 milhões). As concessionárias CCR, Transbrasiliana, Viapar e Via Bahia também serão contempladas.

Os projetos em ferrovias abocanharão 21,7% do total, sendo que a Vale deve receber aportes de R$ 1,7 bilhão, dos R$ 2,3 bilhões destinados ao setor, para a construção de um ramal ferroviário que viabilizará a implantação do maior projeto de minério de ferro da companhia. O ramal liga a mina de Serra Sul de Carajás à Estrada de Ferro Carajás, no Estado do Pará. Read More!

Adiantamentos do FGTS cresceram 1.040% no governo Dilma


Fonte: O Globo 

Apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como uma das irregularidades cometidas pelo governo nas contas públicas, as dívidas do Tesouro Nacional com o FGTS saltaram de R$ 582 milhões em 2010, último ano do governo Lula, para R$ 6,6 bilhões em 2014, último ano do primeiro mandato de Dilma Rousseff. O aumento de 1.040% está registrado num documento do Conselho Curador do FGTS obtido pelo GLOBO. O colegiado é vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e é o responsável pelas diretrizes do fundo dos trabalhadores.

O documento revela que em 2009, ano de lançamento do Minha Casa Minha Vida, não houve qualquer adiantamento do FGTS para o programa, sem o registro de dívida do Tesouro por essa razão. O passivo começou no ano seguinte e explodiu no governo Dilma. A dívida chegou a R$ 2,5 bilhões em 2011, mais do que dobrou em 2013 e atingiu os R$ 6,6 bilhões em 2 de setembro de 2014 — data utilizada para a produção do documento do conselho, assinado pelo secretário-executivo do colegiado, Quênio de França, em 24 de outubro.

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DESRESPEITO À LRF

O pagamento de despesas do Minha Casa Minha Vida com adiantamentos do FGTS é um dos 13 indícios de irregularidades fiscais que Dilma terá de esclarecer ao TCU, como aprovou o plenário do tribunal na última quarta-feira. Pela primeira vez na História, o tribunal deu um prazo, de 30 dias, para um presidente da República se explicar sobre supostas irregularidades na prestação de contas. Dilma corre o risco de ter as contas de 2014 rejeitadas em parecer do tribunal, o que não ocorre desde 1937. O julgamento definitivo cabe ao Congresso.

Na interpretação do ministro Augusto Nardes, relator das contas no TCU, os adiantamentos do FGTS ao Minha Casa Minha Vida foram uma das chamadas “pedaladas” fiscais, manobra em que o Tesouro segura repasses para melhorar artificialmente as contas públicas. Isso ocorreu com bancos oficiais, que precisaram arcar com pagamentos de benefícios — como o seguro-desemprego e o Bolsa Família — diante do represamento de recursos. O TCU já decidiu que houve empréstimo dos bancos, o que não é permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Os adiantamentos do FGTS à União desrespeitaram a LRF, segundo relatório do TCU. Dilma terá que dar uma explicação sobre a dívida acumulada entre 2010 e 2014, conforme aprovado em plenário. Segundo auditoria do tribunal, o Banco Central deveria ter registrado o passivo na dívida da União. Mas, para o BC, o dinheiro do FGTS se refere a recursos privados, e não a recursos públicos. A metodologia que o banco usa desde 1991 contabiliza a relação entre o governo e entidades financeiras.

O documento do Conselho Curador do FGTS afirma não haver prazo para o ressarcimento pela União. A dívida acumulada em 2014, inclusive, era maior da que consta no relatório. Conforme o balancete referente a novembro de 2014, o último disponível no site do fundo, a dívida do Tesouro por conta de adiantamentos ao programa habitacional chegava a R$ 7,6 bilhões.

A dívida por conta do Minha Casa Minha Vida não é a única do Tesouro com o FGTS, conforme o documento do Conselho Curador. “Pagamentos a ressarcir” saltaram de R$ 497 milhões em 2010 para R$ 624 milhões em 2014. A dívida mais expressiva se refere à contribuição social de 10% sobre o FGTS em caso de demissão sem justa causa, prevista em lei complementar de 2001. Segundo o relatório do conselho, a dívida com o FGTS no que diz respeito a essa contribuição começou a ser registrada em 2012, com um montante de R$ 2,5 bilhões. O valor chegou a R$ 8,8 bilhões em 2 de setembro de 2014. Ao todo, a dívida do Tesouro com o fundo ultrapassava R$ 16,1 bilhões naquele momento.

Fontes do Conselho Curador afirmam que o FGTS acabou arcando integralmente com os subsídios ao Minha Casa Minha Vida, sem a contrapartida da União. O dinheiro usado se refere a parte do lucro do fundo. A União começou a regularizar a situação a partir de janeiro deste ano, com um pagamento acertado de R$ 250 milhões por mês. O GLOBO procurou os ministérios da Fazenda e do Trabalho, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. Colaborou Geralda Doca
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