Pouco mais de um ano e meio após acidente em Brumadinho, trabalhador que fugiu pela mata será indenizado pela Vale



A Vale S.A. terá que pagar R$ 75.809 de indenização por danos morais ao trabalhador que sobreviveu no rompimento da Barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, ao escapar da lama fugindo por uma mata. A decisão é da juíza Renata Lopes Vale, na 5ª Vara do Trabalho de Betim, que reconheceu "que o empregado foi exposto a situação de extremo perigo, com possibilidade de morte iminente, além de ver destruído o local de trabalho, com falecimento de colegas de trabalho no acidente". A tragédia completa hoje (25) um ano e sete meses.

Testemunha ouvida no processo contou que trabalhou com o reclamante no dia do rompimento. Ele prestava serviço no setor de armazenamento de materiais elétricos, que ficava no segundo prédio próximo ao restaurante e ficou coberto pelos rejeitos. A testemunha relatou que só não foi atingida porque saiu correndo. Explicou que viu também o trabalhador fugindo pela mata, por um caminho de aproximadamente 500 metros, até o local onde ele se encontrava.

O depoimento foi confirmado por outra testemunha. Conforme relatou, ela estava do lado de fora do restaurante com o colega autor da ação, quando escutaram um barulho de explosão. Eles viram um "poeirão" e saíram correndo pela mata em direção à subestação, que ficava em um local mais alto.

Ao avaliar o caso, a juíza Renata Lopes Vale ressaltou que a atividade da empregadora é disciplinada pela Norma Regulamentadora nº 22, do antigo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que explicita os principais riscos relacionados à mineração. E que "a simples leitura do regulamento deixa claro que os riscos produzidos pelas atividades de mineração são muito mais acentuados do que a média das demais atividades econômicas, o que justifica a gradação do risco em nível tão elevado".

Para a magistrada, a empresa não agiu de forma a prevenir as mais graves consequências do rompimento da barragem. Ela ressaltou que a construção e manutenção das unidades utilizadas pelos trabalhadores, em área extremamente vulnerável, violaram frontalmente a Norma Regulamentadora nº 24, também do MTE. Pelo item 24.3.13 do regulamento, "o refeitório deverá ser instalado em local apropriado, não se comunicando diretamente com os locais de trabalho, instalações sanitárias e locais insalubres ou perigosos".

Outro problema apontado pela julgadora refere-se ao fato de que os treinamentos ministrados pela Vale não auxiliaram os empregados durante o rompimento da barragem. Testemunha informou que, se tivesse seguido as rotas de fuga e pontos de encontro repassados no treinamento, teria sido atingido pela lama.

Com relação ao dano, a juíza pontuou que ele decorre diretamente da queda da barragem, quando presente o autor da ação no local de trabalho. Segundo a julgadora, mesmo não tendo sofrido danos físicos advindos diretamente do rompimento, a situação acarretou tristeza e sofrimento moral. "Problemas a que ele não teria se submetido sem o acidente, constatado assim o dano e o nexo de causalidade com o sinistro ocorrido na Vale S.A.".

Diante dos fatos narrados, a juíza condenou a empresa ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 100 mil, conforme pleiteado. A Vale S.A. ajuizou recurso e a Segunda Turma do TRT-MG deu provimento parcial, reduzindo o valor da indenização para R$ 75.809, ao observar os critérios previstos no artigo 223-G CLT.


TRT-MG/Dom Total
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Pis-Pasep completo para pagamentos em agosto




Pis-Pasep completo para pagamentos em agosto. Os valores variam de R$ 87 a R$ 1039, de acordo com a quantidade de dias trabalhados durante o ano base 2018.

Os titulares de conta individual na CAIXA com cadastro atualizado e movimentação na conta receberão o crédito automático antecipado amanhã (14). Os pagamentos são escalonados conforme o mês de nascimento do trabalhador e tiveram início em julho, com os nascidos naquele mês. O prazo final para o saque do abono salarial do calendário de pagamentos 2019/2020 é 30 de junho de 2020.


São mais de 3,6 milhões de trabalhadores nascidos em janeiro e fevereiro, totalizando R$ 2,6 bilhões em recursos injetados na economia. O valor do benefício pode ser consultado no Aplicativo CAIXA Trabalhador, no site da CAIXA (www.caixa.gov.br/PIS) ou pelo Atendimento CAIXA ao Cidadão: 0800 726 0207.

A CAIXA irá disponibilizar cerca de R$ 16,5 bilhões para mais de 21,6 milhões de beneficiários até o final do calendário. Confira todas as datas:


Quem tem direito ao saque –Tem direito ao benefício o trabalhador inscrito no PIS há pelo menos cinco anos e que tenha trabalhado formalmente por pelo menos 30 dias em 2018, com remuneração mensal média de até dois salários mínimos. Também é necessário que os dados estejam corretamente informados pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), ano base 2018.

Quem possui o Cartão do Cidadão e senha cadastrada pode se dirigir a uma casa lotérica, a um ponto de atendimento CAIXA Aqui ou aos terminais de autoatendimento da CAIXA. Caso não tenha o Cartão do Cidadão e não tenha recebido automaticamente em conta CAIXA, o valor pode ser retirado em qualquer agência da CAIXA, apresentando o documento de identificação oficial com foto. O trabalhador com vínculo a empresa pública possui inscrição PASEP e recebe o pagamento pelo Banco do Brasil.

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Aumenta incidência de trabalho infantil em São Paulo durante pandemia



A perda de renda das famílias durante a pandemia de covid-19 (doença provocada pelo novo coronavírus) tem levado a um aumento da incidência do trabalho infantil, segundo pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O levantamento feito com 52,7 mil famílias que a entidade tem atendido na cidade de São Paulo mostra um aumento do número de residências onde ao menos uma criança trabalha.

Entre as famílias que foram cadastradas em maio para receber os kits de higiene e as cestas-básicas oferecidas pelo Unicef, a cada mil domicílios, 21,2 disseram ter ao menos uma criança trabalhando. Dentro dessa mesma amostra, o índice cai para 17,5 a cada mil quando as famílias falam da situação antes da pandemia.

Entre as famílias que foram incluídas no cadastro em julho, a incidência de trabalho infantil subiu para 24,2 a cada mil, sendo que antes da pandemia as respostas das pessoas dentro dessa amostra apontam para um índice de 17,4.

Perfil
A coordenadora do Unicef em São Paulo, Adriana Alvarenga, afirma que as famílias selecionadas pelo programa estão em “situação de extrema vulnerabilidade”. “A gente foi atender as que não estavam sendo atendidas de outras maneiras”, enfatiza.

Nas residências cadastradas vivem cerca de 190 mil pessoas. Dessas, 80 mil são crianças e adolescentes – 28 mil tem até 5 anos; 30,9 mil, entre 6 e 12 anos; 21,2 mil, entre 13 e 18 anos de idade.

Sem trabalho
São famílias que já viviam em dificuldade antes da pandemia (42,9% dos adultos estava desempregado antes mesmo do isolamento social). Porém, 30,4% das pessoas perderam o emprego durante a pandemia e 15,7% continuaram trabalhando, mas com a renda reduzida. Apenas 10,9% conseguiram manter as condições de antes da chegada do coronavírus.

“A situação foi se agravando e o impacto entre crianças e adolescentes piorando”, ressalta Adriana a respeito da pressão sobre essas famílias. Além da perda de trabalho, são pessoas que enfrentam empecilhos até para serem beneficiadas pelos programas governamentais. “50% não estavam tendo acesso a auxílio emergencial ou qualquer outro auxílio do governo”, destaca a coordenadora do Unicef.

Evasão escolar
A entrada precoce e precária no mercado de trabalho pode levar, segundo Adriana, ao abandono dos estudos. “Tem outros levantamentos que já mostram que muitos adolescentes dizem que não pretendem voltar à escola. Muitos que desistiram de fazer Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]”, aponta.

O afastamento da escola traz mais prejuízos do que a perda de aprendizado, na avaliação dela. “Isso abre o flanco para outras violências”, ressalta. “A escola, além de ser um espaço de aprendizagem, é um espaço de proteção e acesso a outros serviços”, acrescenta.

Para enfrentar essa situação, Adriana defende que o governo, nas diferentes esferas, promova uma “busca ativa” dessas famílias para que elas possam ser inseridas nos programas de assistência social. “Programas de transferência de renda de médio e longo prazo e apoio a essas famílias para que elas possa se inserir ou permanecer no mercado de trabalho”,

Fonte: Força Sindical
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Mais de 30 milhões de brasileiros precisaram de auxílio ou empréstimo em julho, mostra IBGE



 Em julho, cerca de 4 milhões dos domicílios (5,9%) algum morador solicitou empréstimo para enfrentar a pandemia. Foram atendidos cerca de 82%, 3,3 milhões, sendo negado o empréstimo a 762 mil. A maior fonte de empréstimos foram os bancos e outras instituições financeiras (75,7%). Em 23,6% domicílios algum morador conseguiu empréstimo com amigos ou parentes.

 
No mesmo período, 30,2 milhões de domicílios brasileiros, ou 44,1% do total, receberam algum auxílio emergencial relacionado à pandemia. Isso corresponde a mais 813 mil lares beneficiados, na comparação com o mês anterior (43,0%).
 
O percentual de domicílios recebendo o auxílio aumentou em todas as grandes regiões, sendo os maiores no Norte (60,6%) e Nordeste (59,6%). No Sul, 30,9% dos lares receberam o benefício. O valor médio do auxílio subiu de R$ 885 para R$ 896.
 
Com informações de IBGE
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Vale e MP fixam prazo para familiares de vítimas de Brumadinho aderirem a acordo de danos morais



A mineradora Vale e o Ministério Público do Trabalho (MPT) firmaram um acordo para ressarcir os familiares de trabalhadores da empresa que morreram na tragédia de janeiro de 2019, quando a barragem B1 se rompeu em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Eles terão até o dia 15 de julho para aderirem ao acordo.

O prazo foi formalizado nessa quinta-feira (20), em audiência na Vara do Trabalho de Betim, na Grande BH, após procuradores, sindicatos, Defensoria Pública da União e representantes da mineradora entrarem em consenso.

Em julho de 2019 já havia sido feito um acordo para indenização dos familiares, mas ele não indicava um prazo para adesão. Para o Ministério Público do Trabalho, ao colocar uma data limite, é concedida uma maior segurança jurídica ao acordo. 

Pelo acordo inicial, a Vale terá que pagar a cônjuge ou companheiro, filho, mãe e pai de funcionários falecidos, R$ 700 mil. Irmãos de empregados vão receber individualmente R$ 150 mil por dano moral.

Para receber estes valores, os familiares das vítimas devem procurar o MPT para aderir ao acordo.

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Corte em orçamento de agência para 2021 ameaça acordo do governo sobre Brumadinho



O corte previsto no orçamento da ANM (Agência Nacional de Mineração) pode fazer o governo quebrar um acordo firmado com o MPF (Ministério Público Federal) após a tragédia de Brumadinho (MG), em janeiro de 2019. Em um documento a que a reportagem teve acesso, a ANM diz que o compromisso assinado com procuradores prevê verbas adicionais ao orçamento da agência para melhorar a fiscalização de barragens. Em vez disso, o governo indicou um corte de 9,05% nas despesas discricionárias.

Segundo o documento, enviado pela ANM ao Ministério da Economia, ficou estipulado que a agência terá, em 2021, R$ 61,4 milhões para os gastos discricionários, referentes a investimentos e execução de projetos e programas. O presidente da agência, Victor Hugo Bicca, diz no ofício que o valor é 9,05% menor do que o aprovado para 2020.

A ANM alerta que a redução do orçamento e a forma como a equipe econômica estipulou que ele seja gasto podem inviabilizar as atividades da agência no ano que vem. Isso porque, em vez de alocar mais verbas para a fiscalização de barragens, o governo quer que a agência use o orçamento reduzido para cumprir as obrigações firmadas junto ao MPF.

O compromisso foi assinado em outubro de 2019, dez meses após uma barragem de rejeito de minério de ferro da Vale desmoronar causando uma onda de lama que matou 259 pessoas e deixou 11 desaparecidos. Pelo acordo, feito no âmbito de uma ação civil pública movida pelo MPF, o governo deveria aumentar as verbas para a fiscalização de barragens entre 2019 e 2021, sem prejudicar o orçamento da agência.
Ações comprometidas

"A assinatura do acordo da ACP (Ação Civil Pública) de Brumadinho trata de compromisso assumido pela União de prover os recursos necessário para estruturar a área de fiscalização de barragens e, assim, melhorar a segurança da atividade de mineração brasileira. Para tanto, foi acordado que as dotações seriam adicionais ao orçamento ordinário da ANM", diz o documento.

Bicca diz que retirar recursos do orçamento do órgão para cumprir o acordo vai "comprometer as ações estruturantes, de apoio e de suporte para o desenvolvimento das atribuições da ANM, descumprindo, portanto, a cláusula sétima, da ata da audiência de conciliação do termo de acordo".

O presidente da agência afirmou ainda que informaria o MPF e a Justiça sobre o corte, que, segundo ele, "compromete fortemente o futuro da ANM".

Ao final, Bicca pede que o orçamento para despesas discricionárias seja ampliado de R$ 61 milhões para R$ 155,9 milhões, uma diferença de R$ 94 milhões.O Ministério da Economia foi procurado para comentar, mas não respondeu.

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Químicos da Força discute o papel do movimento sindical frente à pandemia


A Fequimfar, juntamente com seu Departamento de Saúde do Trabalhador e com o apoio do Diesat, realizou, ontem (20), o “1º Encontro Virtual do Departamento de Saúde do Trabalhador”.

 
A abertura teve a participação de Jurandir Pedro de Souza, diretor financeiro da Fequimfar e presidente do STI Itapetininga, que saudou os dirigentes e destacou a importância da luta a área de saúde e segurança para que os trabalhadores representados possam ser contemplados em suas necessidades.
 
Com o tema “o papel do movimento sindical na precaução e prevenção da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras nos ambiente de trabalho, em especial frente à Covid-19”, cerca de 50 lideranças sindicais dos Químicos da Força de todo o estado participaram do encontro e puderam trocar informações.
 
Edson Dias Bicalho, secretário geral da Fequimfar e presidente do STI Bauru, coordenou o evento que teve palestra proferida por Carlos Aparício Clemente, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região e Coordenador do Espaço da Cidadania, e amplo debate.
 
Em sua fala, Clemente fez um panorama sobre como o Brasil foi se organizando diante da pandemia e frisou que o movimento sindical não pode perder sua narrativa e luta em defesa e proteção da classe trabalhadora.
 
Considerando a atual conjuntura e os ataques feitos pelo governo nos direitos dos trabalhadores e na flexibilização de normas em saúde e segurança, o presidente da Fequimfar e 1º secretário da Força Sindical, Sergio Luiz Leite, Serginho, destacou que é necessário pensar numa ação sindical pró ativa, com diversas frentes, em defesa da vida e na proteção dos trabalhadores.
 
“Nosso objetivo também é dar continuidade na implantação e fortalecimento dos departamentos de saúde nos Sindicatos filiados, ampliando a ação sindical na base. Além disso, trabalhar na construção de um banco de dados de acidentes e doenças do trabalho, para que cada Sindicato possa ter informações e ocupar o seu espaço na luta pela prevenção e pela vida do trabalhador”, destacou João Scaboli, diretor do departamento de saúde do trabalhador da FEQUIMFAR e membro do Conselho Nacional de Saúde pela Força Sindical.

Fonte: Força Sindical
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